domingo, 28 de outubro de 2007


Quanto tempo leva para chegar a hora certa é agora ou nunca adianta esperar?
Dividiram minha vida em pedaços idênticos delimitados por traços percorridos por ponteiros. Esses espaços de sentido passam rápido e eu não chego. Será que o relógio acumula minutos ou milímetros? Quantos kilômetros de vida são necessários pra eu entender meu lugar no tempo? Eu sigo um ciclo irregular que não cabe em nenhum compartimento de ritmo binário constante minhas oscilações me fazem sentir desconfortável como Alice gigante na sala claustrofóbica e sobra pedaço meu pra fora eu dizia ainda é cedo e alguém tentando me encaixar
é tarde, é tarde, tão tarde até que arde e urge e mente que o ônibus quebrou que o cachorro morreu que o galo cantou pra dentro e o dia não nasceu no quadro de horários escorridos.


Será que precisa falar que a tela é do Salvador Dalí? E que a citação é fala do coelho em Alice No País Das Maravilhas, que é do Lewis Carrol? E que a Alice é uma referência fortíssima que volta e meia emerge do meu subinconsciente?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Música para os meus arquivos

Uma coisa boa da globalização é a aproximação que ela cria entre as pessoas que desfrutam do acesso a informação nos grandes centros do Brasil e do mundo.
Hoje em dia, é provável que uma pessoa que viva numa cidade como Belo Horizonte tenha muito mais a compartilhar (não humanamente, porque para isso não existe fronteira geográfica nem cultural) com alguém que viva em Buenos Aires, Estocolmo ou Natal do que com alguém que viva aqui ao lado, em Nova Lima, por exemplo, e que não esteja imerso nesse trânsito intenso de informação.
Nesse rolo compressor de referências muito se consome, se digere, se transforma e se produz.
Na música, por exemplo, no rock, pra ser mais específica, não existe mais aquela predominância da produção no eixo econômico brasileiro Rio-São Paulo. Isso porque a informação não se concentra mais exclusivamente nos pólos econômicos. O dinamismo no escambo de referências, questionamentos, estéticas e experimentações pode ser compartilhado por qualquer um que “freqüente” a internet. Com isso, a produção de rock, hoje, está pulverizada por todo o país. Existem representantes do estilo e cenas se fortalecendo por todo o território.
É claro que nesse bolo muita coisa não possui consistência, mas há, também, muita coisa interessante e significativa.
As duas últimas melhores descobertas que eu fiz, Los Porongas e Vanguart, são duas bandas provenientes de locais totalmente fora do eixo tradicional (Rio-Sampa) e também fora do eixo “alternativo” (Recife-Brasília-Porto Alegre). Los Porongas é de Rio Branco e Vanguart, de Cuiabá.
O mais interessante nessas duas bandas, a meu ouvir, é que ambas conseguem criar um som alicerçado em referências universais do rock e perpassado por particularidades nacionais e regionais. Quando eu falo em referências regionais não estou me referindo a esse regionalismo caricato e clichê que andam explorando por aí. É algo mais sutil que parece ser proveniente simplesmente de uma memória musical e poética dos artistas e suas influências. Não é uma necessidade oportunista de enaltecer o regionalismo ou de reverenciar esse ou aquele “mestre” do rock. São sonoridades produzidas por alguém que digeriu suas influências e conseguiu, sem se apegar a nenhuma delas, criar uma identidade própria. Por exemplo, o Vanguart foi citado num programa de televisão como um representante da folkmusic. Ao ouvir aquela viola em “Foreign Complaint” eu entendi porque. Essa música me remeteu imediatamente a artistas nacionais (talvez Almir Sater) conhecidos como sertanejos de raiz, caipira, ou sei lá, folk nacional. Não sei se foi isso que inspirou os caras, mas foi essa a sensação que eu tive ao ouvir os primeiros acordes. Por outro lado, o começo de “Blood Talking” me trouxe à memória “I’d love to change the world” do Ten Years After. Eu poderia falar de inúmeros outros resgates que me ocorrem, como a guitarra floydiana em “Cachaça”, a inevitável comparação com o vocal de Thom Yorque aqui e ali, mas, enfim, meu objetivo não é especular as referências dos garotos e sim, defender a personalidade musical que provém de uma costura (inevitável, hoje em dia) sonora de referências. Eu venho a público defender essa construção porque existem pessoas, ainda hoje, capazes de alegar mediocridade criativa nesse processo, como se fosse pertinente discutir originalidade atualmente, da mesma maneira que se discutia nos anos 60. Tanto no Vanguart quanto no Los Porongas (sobre os quais eu nem vou especular. Vocês se quiserem vão lá no site deles que já passei aqui no blog e tirem suas próprias conclusões- e depois me falem) as referências emergem e se dissolvem sutilmente, sem afetação, para formar uma grande massa sonora com identidade própria, nem ressaltando, nem dissimulando as influências. Quando elas tiverem que sobressair, que sobressaiam. Que ninguém aqui (eu acho) está tentando romper fronteiras e, ingenuamente, propondo um som original. A originalidade, no rock, é um artifício que conseguiu sobreviver até “OK Computer”, TALVEZ. Mesmo nele é possível detectar referências explícitas. Mas quem se importa em ser pioneiro vivendo num mundo globalizado? Todas as fronteiras já foram transpostas. O mais importante hoje é saber se mover, é não desperdiçar as referências e fazer bom uso dos caminhos que já foram desbravados. A dificuldade quando se tem muitas referências está em saber discernir o que pode ser eliminado. É esse o pulo do gato atualmente: usar o filtro com bom senso e criatividade. Tem muita gente desorientada por aí que não consegue se livrar do que é desnecessário. Citando Los Porongas, naquela que é a minha música preferida do álbum: tudo que não me interessa agora, eu jogo fora...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Três nomes que sempre fizeram confusão na minha cabeça:

-Chris Cornell
-Jerry Cantrell
-Perry Farrell

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Taí, Fabiana: www.losporongas.com.br
Banda do Acre, muito boa. Os caras disponibilizam todas as músicas do cd. Você baixa rapidinho.
E que essa seja a primeira e última dica do blog!!!

Ah, fiquei sabendo ontem que cliente da Tim paga R$2,50 nos cinemas do Bh e do Diamond, às terças.
Eu sou uma mulher de muita personalidade. Muita mesmo.
São tantas que às vezes eu me confundo...

Hein??? Pada!

Anteontem eu entrei numa dessas lanchonetes especializadas em empadas. (pensando nisso agora, acho que empada tá na moda)
Enquanto estava comendo, resolvi dar uma folheada básica numa revista disposta no balcão para os clientes.Uma revista direcionada ao público masculino.
Cheguei à conclusão que eu nunca devo ter lido nenhuma revista desse tipo, pois confesso que fiquei surpresa ao descobrir que existem revistas masculinas elaboradas nos mesmos padrões de lavagem cerebral dessas inúmeras revistas femininas que prometem desvendar a fórmula secreta da realização emocional, sexual, profissional, etc.
Havia, por exemplo, uma matéria explicando pro “cara” como manter uma relação saudável de amizade com uma mulher. Entre as várias dicas que A jornalista que assina a matéria dava, estavam coisas do tipo: sim, é possível ser amigo de uma mulher e se divertir mesmo não rolando sexo. Até aí, forçando a barra no meu medidor de tolerância, dava pra passar batido, mas depois, essa senhorita teve a sapituca de argumentar que, para o “cara”, é interessante ter uma amiga, pois ela pode ser uma boa fonte de dados sobre o universo feminino e isso pode favorecê-lo no momento da sedução.
Eu não sei o que é mais engraçado: a jornalista que fornece uma dica dessas, ou o “cara” que segue o conselho. Eu sempre me divirto imaginando a aplicação desse tipo de informação. Imagina o “cara” ficando amigo de uma menina, conversando com ela, anotando, sorrateiramente, o que ela diz e depois, o que é pior, aplicando isso numa tentativa de conquista. Agora imagina o “cara” que leu essa matéria ficando meu amigo e eu fornecendo, sorrateiramente, as informações todas erradas e ele fazendo uso disso...Ai, ai...
Como se não bastasse, dando prosseguimento à leitura da revista (é, eu continuei a ler...), mais adiante, havia uma matéria que prometia revelar todos os segredos para se fazer uma mulher chegar ao orgasmo. Nada mais coerente, afinal, as revistas femininas prometem revelar todos os segredos para ser um “furacão na cama” e só um cara que conseguiu desvendar todos os mistérios do orgasmo feminino vai dar conta de um furacão na cama, certo? Se as dicas eram boas eu não sei, mas que tem alguém por aí a fim de aprender tem, porque nessa matéria só havia a primeira página com o título e a foto de uma boca de mulher com um morango dentro. Algum gaiato passou pela lanchonete e arrancou todos os segredos só pra ele...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Taí uma coisa que eu admiro: a fidelidade da galera que curte metal. Num mundo onde tudo vira moda, todo dia aparece um estilo novo que "pega bem" curtir. O que mais se vê são cenas passageiras e descartáveis. Com o heavy metal não é assim. Eu conheço gente que curte metal há 15 anos com a mesma paixão. E os fãs mais recentes também não parecem estar nem aí pros indies, emos, hypes, rappers, psys, raiz e tudo o mais que estiver em voga no momento.
Metal é metal e pronto. Blusa preta, calça preta e não se fala mais nisso. Se o cabelo é grande ou curto não importa.
Outro dia, o Marcelo, um amigo que tem um estúdio (estudioom@gmail.com), me contou que fez uma gravação com uma banda de metal que ensaia lá e comentou com eles:
-Pô, ficou doido.
Sabe qual foi a resposta?
-Doido não. Brutal.
É isso aí, Marcelo, se liga! Som de metal é BRUTAL.